Stephen, a ovelha negra

Você já viu o popular filme chinês de animação Nezha? Pois bem, se você viu o Nezha do filme, então já viu o Stephen, um dos meus alunos. (Na verdade, ele até se parece um pouco com o personagem — pele morena, arteiro e sempre metido em encrenca.)

Stephen sempre foi a ovelha negra. Inteligente, com opiniões próprias. Veio de uma família cristã e era o “diferente” dentro de casa. Seu irmão mais velho era pastor e muito respeitado, enquanto Stephen mantinha distância do ministério da igreja. Mas, no fim, o Grande Pastor o alcançou e o levou ao nosso seminário. Lá, ele também era a ovelha negra. Ao contrário dos colegas, preferia a internet aos livros — e dizia isso abertamente. Alguns professores não gostavam dele, pois ele tinha sempre um jeito de quem “estava aprontando”. Mesmo quando não procurava encrenca, ela o encontrava. Mesmo quando não fazia nada errado, era suspeito de algo. Ele simplesmente não se encaixava.

Como o irmão mais velho de Stephen, que também foi meu aluno, me pediu para ficar de olho nele, passei a acompanhá-lo mais de perto. Jogávamos tênis de mesa com frequência. Era assim que conversávamos e discutíamos sobre assuntos leves e também sobre temas mais sérios da vida.

Em 2017, quando começamos a nos envolver com a Bukang Liwayway, um ministério nas comunidades urbanas pobres das Filipinas, eu nem cogitei chamar Stephen. Ninguém queria um ímã de confusão ao iniciar algo novo. Mesmo assim, ele soube do início do ministério e quis participar. Depois de orar a respeito, resolvi incluí-lo. E logo na nossa primeira visita à comunidade, Stephen mostrou por que merecia estar ali. Em menos de meia hora, já era amigo dos adolescentes da região. Sem nenhum treinamento em tagalo, conseguiu aprender o suficiente para conversar com um dos meninos. Mostrou-se totalmente à vontade entre pessoas desconhecidas e muito diferentes dele. Stephen se encaixou perfeitamente.

Seria porque muitos daqueles meninos da comunidade também eram vistos como ovelhas negras pela sociedade? Ou será que Stephen tinha um dom natural para o campo missionário? Talvez tenha sido o Espírito Santo agindo? Quem sabe se não foi tudo isso junto? Desde então, Stephen se envolveu por completo com o ministério nas comunidades urbanas. E, de forma surpreendente, esse trabalho se tornou um meio único pelo qual ele aprendeu sobre disciplina e compromisso. Foi ali que encontrou direção para focar sua atenção e se dedicar aos estudos.

Hoje, Stephen está pastoreando uma igreja. Ainda se parece com Nezha, e ainda é visto como uma ovelha negra por alguns. Talvez o nosso Grande Pastor esteja usando uma ovelha negra para alcançar muitas outras. Pode ser que leve alguns anos, e talvez um dia Stephen se torne missionário em locais de difícil acesso. Quem sabe?

Compartilhe este post

Envolva-se

Tem perguntas? Envie-nos um e-mail.

Sua consulta será encaminhada para a equipe OMF pertinente.

Contact Form - PT

Ai clicar em Enviar, você concorda com o processamento das suas informações de acordo com os termos em nosso Política de Privacidade.

OMF International possui uma rede de centros em todo o mundo.
Se o seu país/região não estiver listado, selecione nosso site internacional.