Uma das experiências mais legais que tive no meu primeiro ano no Japão foi participar de uma cerimônia do chá. Minha professora de japonês me contou sobre uma oficina de cerimônia do chá. A anfitriã, Sra. Hirose, me vestiu com um lindo quimono, preparou deliciosos doces japoneses e fez um matcha fresco e saboroso. Quando soube que eu era cristã, ela gentilmente preparou uma tigela de chá especial para mim, decorada com vitrais de uma igreja. Esse gesto tão atencioso tocou imediatamente o meu coração.
Gostei tanto da oficina que me inscrevi em um curso de três meses sobre a cerimônia do chá. Todas as terças-feiras, a Sra. Hirose vestia seu quimono e preparava doces típicos da estação. A cada aula havia um doce diferente, escolhido de acordo com a estação do ano, algum festival, uma flor ou até um conto de fadas. A cerimônia envolve muitos aspectos da cultura japonesa. Ela me ensinava cada etapa devagar e com clareza e, mesmo com meu japonês limitado, eu conseguia acompanhar.
Nos dias ensolarados, fazíamos nodate (野点), tomando chá ao ar livre no Parque Nakajima. Uma experiência especialmente marcante foi visitar o Hasso-an, uma casa de chá do período Edo. Antigamente, as pessoas precisavam passar por uma porta muito pequena para entrar nas casas de chá. Os samurais eram obrigados a deixar suas espadas do lado de fora antes de entrar, tornando aquele espaço um lugar onde todos se colocavam em posição de humildade, tanto literal quanto espiritualmente, e tratavam uns aos outros com respeito. Lá dentro, o ambiente transmitia uma paz incrível.
Nessa mesma época, encontrei em uma livraria um livro japonês intitulado Missionários cristãos observam a cerimônia do chá (Kirisutokyō senkyōshi ga mita cha no yu, 2023). Mostrei o livro à Sra. Hirose, e ela o pegou emprestado. O livro explica a profunda conexão histórica entre o cristianismo e a cerimônia do chá. Fiquei surpresa ao descobrir que, durante os períodos de perseguição aos cristãos no Japão, alguns cristãos celebravam a Santa Ceia em casas de chá localizadas em templos.
Conhecer a rica cultura e a longa história da cerimônia do chá fez com que eu a apreciasse ainda mais. O que começou como uma simples oficina acabou se tornando um novo hobby muito significativo, que trouxe paz, beleza e conexão para a minha vida.
Também sou muito grata pela amizade com a Sra. Hirose. Às vezes ainda nos encontramos para comer juntas, e tenho tido oportunidades de compartilhar um pouco da minha fé com ela.
Por Kelly, missionária da OMF



