projeto-rak-chum-chonEra fevereiro de 2020 em Bangkok, capital da Tailândia. Passei pela loja de conveniências perto da escola das crianças e vi um aviso: Não temos Máscara, nem temos Álcool em Gel. Sinceramente, assustei-me. Já havíamos recebido alguns avisos por parte da missão a respeito de uma epidemia que se iniciava na no interior da China. No fim do mês o Governo iniciou um novo protocolo de saúde restringindo acesso de pessoas às escolas. Mas não tínhamos como imaginar que seria algo tão sério, que nos atingiria tão rapidamente. Como sempre, os assuntos são tratados com piadas e notícias. Neste ponto da história da humanidade, as piadas pareciam mais honestas.

No mês de fevereiro foram iniciadas as primeiras ordens de restrição de circulação, que gradativamente se agravaram até a decretação de Estado de Calamidade, depois Estado de Emergência. A seriedade da crise parece que não havia chegado aos bairros e nem nas comunidades mais carentes. Justamente o lugar onde a precariedade das condições de vida expõe a população a um risco maior.

Inicialmente começamos a nos preparar para mudar nossa rotina em casa, protocolos de emergência, nossa segurança. Mas, rapidamente me veio a mente o texto do bom samaritano (Lucas 10.25-37) e da pergunta que Jesus fez aos ouvintes daquela cena: Qual desses três você acha que foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes? Temos todas as mesmas desculpas e justificativas (usadas pelo sacerdote e pelo levita) para pensar somente em nossa rota e nossa auto-preservação. Mas Jesus, nos ensina que não é esse nosso caminho, não é esse nosso chamado. Somos chamados a olhar para fora e amar aqueles que estão ao nosso redor, alcançar aqueles que estão desamparados à beira do caminho.

Fazemos parte de um projeto (Rak Chumchon). Trabalhando em três equipes, em comunidades carentes espalhadas pela cidade, sentimos a clara necessidade de intervir naquele momento. Antes que a política de quarentena se estabelecesse, aproveitamos para nos preparar para o desafio que estava por vir. Em nossa equipe, um grupo comprou e produziu álcool gel e tubos, outra missionária confeccionou máscaras adequadas. Passamos as duas últimas semanas fazendo oficinas sobre higiene, como se prevenir durante a crise, distribuindo kits na comunidade e cadastrando as famílias que estão em situação de vulnerabilidade.

Em um segundo estágio, já experimentando as consequências da falta de emprego, nossa organização preparou um fundo de auxílio emergencial para auxiliar essas famílias já a partir da terceira semana de quarentena. Boa parte da população urbana depende da renda diária para suprir os gastos – muitos sequer possuem geladeira em suas casas para estocar alimentos de um dia para o outro.

Em tudo compartilhamos Amor, a Esperança e a Paz que existem em Jesus, e que são o nosso Porto Seguro em meio a crise. Ele é nossa segurança. Olhar para fora e se juntar ao chamado e ministério de Jesus também cura nosso coração e nos salva da angústia, ansiedade e desespero que varrem nossa sociedade durante a crise – pela simples noção da presença d’Ele em nosso barco durante a tempestade.

Ore junto conosco que nesse tempo difícil aqueles que estão buscando à Deus possam ser alcançados. Ore também pelas famílias que já estão em dificuldade em razão da ausência de trabalho e renda durante o período de quarentena.

“Deus é o nosso refúgio e a nossa fortaleza, auxílio sempre presente na adversidade.”

Salmos 46:1

Davi Pezzato – OMF Thailand

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